No princípio havia a semente. A semente estava na ideia. Foi plantada e germinou. Começou a surgir o caule, que foi crescendo, ganhando folhas, até tornar-se uma árvore frondosa, que dava sombra para as pessoas e abrigo para os passarinhos. Nasceram os frutos. Colheita farta! Chegou a hora de transmitir a herança. O que se vai passar, a semente ou a colheita?
O tema da sucessão foi tratado no Tempo & Espaço de setembro, na sede da Metanoia. Roberto Adami Tranjan falou dos estágios de vida de uma empresa no seu desenvolvimento e envelhecimento e das crises pelas quais passa em cada um. Idealização, concepção, expansão, transição e plenitude são os estágios. Para ele, o tempo certo para se fazer a sucessão é o quarto estágio, quando o empreendedor precisa entregar o negócio para outro liderar, liderança esta que é aprendida, não nata.
“A maioria das empresas não faz a sucessão como deveria ser feita, nem no tempo certo”, afirma Roberto. “Há uma preocupação muito grande em suceder a empresa, não o negócio”, completa. Ele compara com a colheita e a semente. Foca-se na colheita, os resultados, e esquece-se da semente, a razão de ser do negócio.
Os negócios têm quatro dimensões: econômica, filosófica, potencial e causal. Patrimônio e balanços pertencem à primeira. As demais tratam do por que o negócio existe, qual a vocação de quem o faz e para quem ele contribui. “Quando a dimensão causal está acima da econômica, você vai manter a sua empresa jovem a vida inteira”, ensina Tranjan.
Perguntados sobre qual é a sua melhor herança, os participantes – metanoicos e empreendedores convidados – responderam que é o conhecimento, o negócio e seus valores, o sonho e a paixão. Segundo Roberto, a semente é do negócio e não da empresa. Ele pode até ter surgido por uma necessidade de sobrevivência, mas na sucessão pode-se corrigir para a semente da abundância. Finaliza: “O mais importante na sucessão – e o mais difícil – é transferir o desejo”.
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